Indicação de Daniel Perez para embaixada no Brasil gera tensões diplomáticas
O deputado da Flórida, Daniel Perez, foi indicado por Donald Trump para ser o próximo embaixador dos Estados Unidos no Brasil. A nomeação, ainda pendente de aprovação brasileira, já gerou tensões diplomáticas, incluindo a revogação do visto da atual embaixadora do Brasil em Washington.

A indicação de Daniel Perez por Donald Trump para a embaixada dos EUA no Brasil provocou a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti.
Escolha de Donald Trump para o posto diplomático é vista como recompensa a aliado e causa atrito com o governo brasileiro
A indicação de Daniel Perez e a reação diplomática
Donald Trump indicou Daniel Perez, deputado da Flórida, para o cargo de embaixador dos Estados Unidos no Brasil. Perez, de 39 anos, é considerado um nome leal a Trump e ao movimento "Make America Great Again" (MAGA), fator que teria sido crucial para sua escolha. A nomeação, anunciada em 1º de junho, ocorre em um contexto de tensões diplomáticas entre os EUA e países com governos de esquerda ou centro-esquerda, e Perez admitiu ter pouco conhecimento sobre a realidade brasileira, tendo visitado o país apenas uma vez, há quase 20 anos, em uma viagem informal de três dias.
A indicação de Perez gerou um incidente diplomático significativo. Em retaliação à demora na aprovação do nome pelo governo brasileiro, Donald Trump revogou o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. Essa medida, que na prática equivale à expulsão, só seria revertida com a concessão do "agrément" (aprovação formal) para Perez, deixando clara a condição para a renovação do visto da embaixadora brasileira.
O perfil do indicado e a política externa de Trump
Daniel Perez cumpre seu quarto mandato consecutivo como representante na Flórida, tendo iniciado em 2017, e atualmente preside a Florida House of Representatives. Ele deixará o cargo em novembro deste ano devido ao limite máximo de oito anos de atuação estipulado na Flórida. Perez é descrito por correligionários e opositores como um "político nato" e bem articulado, alguém sem barreiras ao diálogo, inclusive com deputados fortemente contrários à gestão trumpista.
A escolha de Perez reflete uma prática de Donald Trump de usar cargos de embaixador como recompensa para aliados políticos, sem a necessidade de que o nome indicado tenha experiência na carreira diplomática. Essa abordagem é vista como uma "diplomacia coercitiva", focada em ameaçar outros países para extrair o que considera necessário, conforme análise de Frank Mora, ex-embaixador dos EUA na Organização dos Estados Americanos (OEA) durante a gestão Biden.
Interesses em jogo e a sabatina no Senado
No Congresso brasileiro, temas de interesse norte-americano, como a exploração internacional de minerais críticos no Brasil – que detém cerca de 10% das reservas mundiais de matéria-prima essencial na transição energética – e a regulamentação das Big Techs e do setor de Inteligência Artificial (IA), estão em discussão. O perfil de Perez, que presidiu o Conselho Americano de Intercâmbio Legislativo e construiu carreira em temas como desregulamentação e acesso a mercados, está alinhado a uma agenda que trata da regulamentação de plataformas e do acesso ao mercado, incluindo a forma como a administração norte-americana enquadra a fiscalização brasileira sobre a plataforma X.


