Jornalismo precisa de mais diversidade nas redações, aponta estudo
A falta de diversidade nas redações impacta a cobertura jornalística, perpetuando visões elitistas e limitando a abordagem de temas sociais cruciais. A Agência Pública busca reverter esse cenário com um programa de trainees focado em jornalistas negros, indígenas e trans.

Um estudo da UERJ revelou que 84% dos jornalistas com textos assinados nos três maiores jornais brasileiros são brancos, e 59,6% são homens.
Pesquisa da UERJ revela predominância de homens brancos e a Agência Pública lança programa de trainees para grupos subrepresentados.
A predominância de homens brancos nas redações
Um estudo da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) analisou 4.331 matérias e colunas de O Globo, Folha de S. Paulo e Estadão, revelando que 84% dos jornalistas com textos assinados são brancos e 59,6% são homens. A pesquisa, embora tenha sido publicada há três anos, é o material mais detalhado disponível sobre o tema.
Os pesquisadores da UERJ constataram que o avanço na inclusão racial nas redações tem sido lento. Poema Portela, uma das responsáveis pelo estudo, alertou que, sem uma movimentação mais incisiva, a desigualdade tende a se prolongar no tempo, apesar da crescente mobilização de negros e mulheres na sociedade.
O impacto da falta de diversidade na cobertura jornalística
A homogeneidade cultural, machista e racista nas redações afeta diretamente o conteúdo jornalístico e, consequentemente, a sociedade. A ausência de diversas perspectivas pode resultar em abordagens limitadas sobre temas como violência policial, políticas públicas e economia.
A experiência de vida de um jornalista, seja ele negro da periferia, mulher chefe de família ou de diferentes regiões do Brasil, molda a forma como as notícias são contadas. Um jornalismo mais diverso pode trazer à tona questões fundamentais para aprofundar a democracia e reduzir desigualdades.
Iniciativas para um jornalismo mais inclusivo
A Agência Pública, com 15 anos de atuação, destaca a transformação que a presença de mulheres, pessoas de diversas origens sociais e regionais, e, mais recentemente, negros, indígenas e outros grupos subrepresentados, trouxe ao jornalismo. Pautas como obstáculos ao aborto legal, violência obstétrica, racismo na Justiça e direitos indígenas ganharam espaço.
Para enfrentar os desafios atuais do jornalismo, como a desinformação e o poder das big techs, é crucial investir em talentos com experiências pessoais, culturais e políticas mais ricas e conectadas à sociedade real. Isso contrasta com a bagagem costumeira de profissionais de classe média com formação em instituições de elite.
Programa de trainees e evento público da Agência Pública
A Agência Pública lançará seu primeiro programa de trainees em parceria com a Fundação Itaú e a Imaginable Futures. O curso é voltado exclusivamente para jornalistas negros, indígenas ou trans, grupos que enfrentam maior resistência no mercado de trabalho. O programa oferece condições materiais para que os participantes possam se dedicar integralmente.


