Julho Amarelo destaca a importância da prevenção e diagnóstico precoce das hepatites virais
A campanha Julho Amarelo reforça a necessidade de conscientização sobre as hepatites virais, doenças que frequentemente progridem sem sintomas evidentes. Especialistas alertam para a vacinação, testagem e cuidados comportamentais como pilares para evitar complicações sérias e reduzir a mortalidade associada a essas infecções.

O Brasil registrou 826.292 casos de hepatites virais entre 2000 e 2024, com a hepatite C sendo a mais notificada, evidenciando a urgência da prevenção.
Campanha nacional alerta para a natureza silenciosa das infecções e os riscos de complicações graves, como cirrose e câncer de fígado.
Hepatites virais: uma ameaça silenciosa à saúde do fígado
As hepatites virais, inflamações agudas ou crônicas do fígado causadas por diferentes tipos de vírus (A, B, C, D e E), representam um desafio significativo para a saúde pública. No Brasil, os tipos A, B e C são os mais prevalentes. A campanha Julho Amarelo, instituída pela Lei nº 13.802/2019, busca conscientizar a população sobre a prevenção, diagnóstico e tratamento dessas doenças, culminando no Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais.
A principal característica dessas infecções é a ausência de sintomas por longos períodos, o que dificulta o diagnóstico precoce. Sintomas iniciais, como fadiga, mal-estar e perda de apetite, são frequentemente confundidos com problemas cotidianos. Somente em fases avançadas surgem sinais mais específicos, como pele e olhos amarelados, urina escura, fezes claras, dor abdominal e coceira, conforme explica o hepatologista Adriano Moraes.
Progressão da doença e suas graves complicações
O fígado, devido à sua grande capacidade funcional, pode sofrer inflamação por muitos anos sem manifestar sintomas evidentes, o que leva o Dr. Adriano Moraes a afirmar que o órgão "sofre em silêncio". Essa característica contribui para que as hepatites virais se tornem crônicas em 30% a 40% dos pacientes não tratados, resultando em complicações severas.
Entre as complicações mais graves estão a cirrose e o câncer de fígado. Pacientes com hepatite B, por exemplo, têm um risco aumentado de desenvolver câncer se já apresentarem cirrose. Essas condições elevam a mortalidade e, em muitos casos, exigem transplante de fígado, ressaltando a importância vital do diagnóstico e tratamento precoces.
Estratégias de prevenção e a importância da testagem
A Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH) enfatiza a prevenção por meio da vacinação, testagem e adoção de cuidados comportamentais e de higiene. A vacina contra a hepatite B é recomendada para todas as pessoas, especialmente grupos de risco como profissionais de saúde, indivíduos com múltiplos parceiros sexuais e imunodeprimidos. A vacina da hepatite A é indicada para crianças, homens que fazem sexo com homens e viajantes para áreas endêmicas.


