Mendonça afasta diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues
Em decisão, Mendonça alega monitoramento ilegal contra ele e o advogado-geral da União, Jorge Messias, e determina abertura de procedimentos investigativos. A Segunda Turma do STF tem maioria para referendar, mas julgamento foi suspenso por pedido de vista de Gilmar Mendes.

O ministro André Mendonça, do STF, afastou nesta terça-feira (8/9) o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa.
Ministro do STF determinou afastamento preventivo e abertura de investigações contra o chefe da Polícia Federal e o diretor de Inteligência, em meio à crise com Alexandre de Moraes.
A decisão de Mendonça
O ministro André Mendonça, do STF, determinou nesta terça-feira (8/9) o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa. Na decisão, ele também ordenou a abertura imediata de procedimentos investigativos criminais e administrativo-disciplinares contra Rodrigues na Corregedoria da PF.
Mendonça afirma que ele e o advogado-geral da União, Jorge Messias, eram alvo de um "monitoramento sistemático" por parte da inteligência policial, que considerou ilegal. O ministro também suspendeu a produção ou compartilhamento de relatórios de inteligência que analisem a atuação funcional de magistrados, da advocacia pública ou da atividade de polícia judiciária.
O que diz a decisão
Segundo Mendonça, Andrei Rodrigues encaminhou a Alexandre de Moraes ao menos seis relatórios de inteligência produzidos sigilosamente entre 3 e 31 de agosto de 2026. O ministro classificou a situação como de "superlativa gravidade e ilicitude" e comparou o cenário ao romance 1984, de George Orwell, que retrata uma sociedade sob vigilância totalitária.
Mendonça também apontou o vazamento de informações sigilosas dos relatórios, que continham detalhes sobre investigações envolvendo os políticos Antonio Rueda e ACM Neto. Para ele, a divulgação prévia frustrou a eficácia de medidas cautelares e prejudicou as investigações. O ministro afirmou que Rodrigues tinha "pleno conhecimento" sobre a produção e o teor dos documentos.
Críticas aos relatórios da PF
Na decisão, Mendonça fez duras críticas ao conteúdo dos relatórios sobre sua atuação nas operações Compliance Zero (Banco Master) e Sem Desconto (INSS). Ele classificou os documentos como apócrifos, sem timbre, brasão, assinatura ou numeração, o que os tornaria um "nada jurídico" que descumpria a Doutrina Nacional de Inteligência de Segurança Pública.
O ministro também rejeitou a acusação de que suas decisões teriam motivação política ou pessoal, classificando como "surreal" e "abjeta" a sugestão de que ele e Jorge Messias teriam agido por terem "matriz religiosa comum" e apoio de igrejas evangélicas em suas candidaturas ao STF.


