Nova lei estabelece filtros para recursos no STJ
A legislação visa diminuir o grande volume de processos que chegam ao STJ, regulamentando um mecanismo já previsto na Constituição Federal. A aprovação do projeto ocorreu no Congresso em julho.

Uma nova lei sancionada nesta terça-feira (4) exige que recursos ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) demonstrem relevância econômica, política, social ou jurídica para serem analisados.
Medida regulamenta exigência de relevância e busca reduzir volume de processos na Corte.
Nova exigência para recursos no STJ
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) passará a aplicar novos critérios para a admissão de recursos, conforme uma lei sancionada nesta terça-feira (4). A partir de agora, para que um recurso seja analisado pela Corte, será necessário demonstrar que ele possui relevância econômica, política, social ou jurídica que transcenda os interesses individuais das partes envolvidas no processo. Esta medida representa uma regulamentação de um mecanismo já previsto na Constituição Federal.
A principal finalidade desta nova legislação é otimizar o funcionamento do STJ, que historicamente lida com um volume expressivo de processos. Ao estabelecer filtros mais rigorosos, a expectativa é reduzir a quantidade de casos que chegam à análise dos ministros, permitindo que a Corte concentre seus esforços em questões de maior impacto e relevância para o ordenamento jurídico e a sociedade brasileira como um todo.
Detalhamento dos critérios de relevância
A Constituição já estabelecia algumas situações em que a relevância dos recursos era presumida. Entre elas, destacam-se os recursos relacionados a ações penais, que envolvem a liberdade e a segurança jurídica dos cidadãos, e as ações de improbidade administrativa, que tratam da conduta de agentes públicos. Além disso, causas com valor superior a 500 salários mínimos e casos que possam resultar em inelegibilidade de candidatos também eram considerados de relevância intrínseca.
Outro critério constitucionalmente relevante é quando a decisão recorrida contraria a jurisprudência dominante do próprio STJ, indicando a necessidade de uniformização da interpretação do direito. Com a nova lei, este rol de critérios foi expandido, incorporando novas hipóteses que deverão ser consideradas pelos advogados e pelas instâncias inferiores ao encaminhar os recursos. Essa ampliação visa aprimorar a seleção dos casos, garantindo que apenas as questões mais significativas cheguem ao tribunal superior.
Tramitação legislativa e expectativas futuras
O projeto de lei que instituiu essas mudanças teve um percurso legislativo completo, sendo aprovado em ambas as casas do Congresso Nacional. Sua tramitação foi concluída em 17 de julho, após receber o aval do Senado Federal, onde a proposta teve sua origem, e posteriormente da Câmara dos Deputados. A celeridade na aprovação reflete a percepção da necessidade de aprimorar a gestão processual no âmbito do Poder Judiciário.


