O custo global da exclusão feminina na liderança
A falta de mulheres em cargos de liderança vai além da questão de representatividade, impactando diretamente a capacidade de instituições globais de desenvolver soluções eficazes e perpetuando desigualdades. Exemplos práticos demonstram como a ausência feminina pode gerar falhas operacionais e estratégicas.

Mulheres ocupam apenas 38% dos cargos de gerência e pouco mais de 31% das posições de liderança globalmente, resultando em falhas operacionais e soluções limitadas.
A ausência de mulheres em posições de decisão não apenas limita a representatividade, mas também compromete a eficácia institucional e a busca por soluções para desafios mundiais.
O impacto da ausência feminina
A exclusão de mulheres de posições de liderança e decisão acarreta custos significativos que vão além da mera representatividade. Essa ausência limita o desenvolvimento de soluções abrangentes, diminui a eficiência institucional e contribui para a manutenção de desigualdades sociais e econômicas.
Um exemplo notório ocorreu em uma missão de segurança da União Europeia na fronteira entre Israel, Gaza e Egito, há duas décadas. A ausência de mulheres no planejamento resultou em uma equipe exclusivamente masculina, gerando um impasse operacional quando mulheres civis precisaram ser revistadas, evidenciando as falhas concretas decorrentes da falta de perspectiva feminina.
Perspectivas de liderança e mentoria
Cristina Gallach, diretora executiva interina da Global Women Leaders Voices, enfatiza que a presença feminina em cargos de autoridade e planejamento é essencial para evitar pontos cegos em qualquer organização. Sua própria trajetória, desde o jornalismo nos anos 1980 até a diplomacia na ONU, ilustra a disparidade de gênero e a importância de lideranças femininas para o desenvolvimento profissional.
Gallach relata que sua ascensão na diplomacia foi impulsionada por redes de apoio e mentorias femininas, especialmente sob a gestão do ex-secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. Ela liderou a primeira estratégia de igualdade de gênero no Departamento de Informação Pública da ONU, regulando a forma como a organização abordava questões de gênero globalmente e capacitando mulheres para cargos de liderança.
Transformações em campo
A aplicação de políticas públicas e programas de capacitação demonstra que o cenário pode mudar rapidamente. Na Tanzânia, o sindicato Chodawu, com apoio da ONU e OIT, capacitou mais de 1,2 mil trabalhadoras domésticas informais com certificações vocacionais e programas de liderança, fortalecendo a presença feminina nos órgãos de decisão do próprio sindicato e mudando o estigma da profissão.
No Marrocos, a secretária-geral de Formação Profissional do Ministério do Emprego, Wafa Asri, implementou o programa Direction Femmes. Essa iniciativa visou preparar servidoras para cargos seniores, elevando a representação feminina na liderança do Ministério de menos de 20% para aproximadamente 35%, evidenciando o impacto direto de ações direcionadas.


