O que Flávio Bolsonaro ainda precisa esclarecer sobre o financiamento de 'Dark Horse'
O filme sobre Jair Bolsonaro, financiado com recursos ligados ao dono do Banco Master, não será lançado antes das eleições. A delação de Antonio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro, e uma operação da PF que mirou o deputado Mario Frias reabriram dúvidas sobre quanto Vorcaro pagou, para onde o dinheiro foi e por que a produção foi entregue à GoUp Entertainment.

A delação de um operador financeiro ligado a Daniel Vorcaro e uma operação da Polícia Federal recolocaram o financiamento de 'Dark Horse' no centro da campanha eleitoral a menos de um mês do primeiro turno.
Delação de operador financeiro de Vorcaro e operação da PF recolocam o filme sobre Jair Bolsonaro no centro da disputa eleitoral; lançamento ficou para depois do primeiro turno.
A delação que reabriu o caso
Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, dono da Entre Investimentos e Participações e apontado como principal operador financeiro de Daniel Vorcaro, fechou acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República. O acordo foi homologado pelo ministro André Mendonça, relator da investigação do Caso Master no Supremo Tribunal Federal.
Segundo a colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, Mineiro afirmou em sua delação ter feito, a pedido de Vorcaro, sete pagamentos ao fundo Havengate, com sede nos Estados Unidos e ligação com um advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Os repasses somaram US$ 12,3 milhões, cerca de R$ 69 milhões na cotação da época.
O conteúdo integral da delação não veio a público. Conforme a apuração citada, Mineiro teria dito que não sabia a finalidade do dinheiro nem se os valores seriam destinados a 'Dark Horse'. A pressão da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo fim do sigilo do depoimento recolocou o filme no centro da disputa eleitoral.
Para onde foi o dinheiro repassado nos Estados Unidos
O dinheiro de Vorcaro foi repassado pela Entre Investimentos e Participações ao fundo Havengate Development Fund LP, sediado nos Estados Unidos. O fundo tem ligação com um advogado que atua para Eduardo Bolsonaro, que está nos EUA desde fevereiro de 2025 e é considerado foragido da Justiça brasileira.
Eduardo foi condenado pelo STF em junho a 4 anos e 2 meses de prisão por coação no curso do processo, mas não se apresentou à Justiça. A condenação está sujeita a recurso e a pena não começou a ser cumprida. Segundo a PGR e o STF, ele teria atuado junto ao governo de Donald Trump para pressionar o Brasil e ministros do Supremo.
Em maio, o The Intercept revelou que Eduardo assinou contrato como produtor do filme, com responsabilidades sobre a gestão financeira da obra. Ele gravou vídeo admitindo ter assinado o contrato e investido R$ 350 mil, mas afirmou ter recebido o dinheiro de volta após a obra obter outros patrocinadores. A PF investiga se recursos de Vorcaro podem ter financiado a permanência dele nos EUA.


