Parte do mercado financeiro apoia candidato estreante Renan Santos
O candidato estreante Renan Santos, do partido Missão, tem atraído a atenção de alguns setores do mercado financeiro, que veem em seu discurso radical uma nova opção política. Seu posicionamento, que combina ultraliberalismo econômico e populismo policial, gera apoio e ceticismo entre economistas e gestores.

Uma parcela do mercado financeiro da Faria Lima tem demonstrado crescente interesse no candidato à Presidência Renan Santos, apoiando-o com doações e contatos.
Agentes da Faria Lima demonstram interesse no discurso radical do postulante à Presidência, vendo nele uma alternativa política para o futuro.
O interesse da Faria Lima em um novato
O candidato à Presidência Renan Santos, do partido Missão, tem despertado o interesse de uma parcela do mercado financeiro, conhecido como Faria Lima. Este apoio se manifesta por meio de doações e contatos, conforme revelado por declarações de figuras políticas e análises de mercado. O movimento ocorre discretamente nos bastidores de bancos, gestoras de recursos e corretoras de valores, direcionado a um candidato que concorre pela primeira vez a um cargo público.
Renan Santos, de 42 anos e com ensino superior incompleto, fundou seu partido a partir do Movimento Brasil Livre (MBL), que ganhou visibilidade durante as manifestações pelo impeachment de Dilma Rousseff. Seu discurso combina elementos do ultraliberalismo econômico, inspirado no presidente argentino Javier Milei, com um populismo policial que remete ao salvadorenho Nayib Bukele. Um dos slogans de sua campanha, “prendeu, matou”, foi inclusive estampado em produtos vendidos durante o lançamento de sua campanha em São Paulo.
Visões e apoios no mercado financeiro
Economistas, gestores e CEOs do mercado financeiro confirmam a atração de parte do setor pelo candidato, que busca se posicionar à direita de Flávio Bolsonaro. Tony Volpon, ex-diretor do Banco Central, é um dos apoiadores mais vocais de Renan Santos. Volpon, que já apoiou Bolsonaro no passado, vê no Missão uma alternativa de poder para 2030, descrevendo o partido como uma direita “não conservadora” nos costumes e com semelhanças ao PT dos anos 1980 em termos de ideologia e militância.
João Landau, fundador da Vista Capital e conselheiro econômico de Renan, também expressa apoio ao candidato. Landau, que ajudou na fundação do Missão e contribui financeiramente, acredita que o atual presidente Lula pode perder a eleição devido à abstenção de eleitores de baixa renda. Ele vê Renan como uma novidade no cenário político, com uma militância engajada e um potencial subestimado, especialmente considerando o tamanho do MBL.
Ceticismo e a influência da Faria Lima
Apesar do entusiasmo de alguns, o apoio a Renan Santos não é unânime na Faria Lima. Luciano Sobral, economista-chefe da Neo Investimentos, embora veja Renan como uma terceira via viável, não compartilha do mesmo entusiasmo, considerando Lula favorito. Ele reconhece que a fórmula de sucesso eleitoral na América Latina, com outsiders que brigam com os dois lados, pode estar se manifestando na candidatura de Renan, mas questiona se haverá tempo para isso nesta eleição.


