Projeto de lei busca reconhecer cães e gatos como sujeitos de direitos
A proposta, que altera o Código Civil, busca assegurar a dignidade, o bem-estar e a integridade física e psíquica de cães e gatos, refletindo uma visão contemporânea da senciência animal.

Um projeto de lei em discussão na Câmara dos Deputados propõe reconhecer cães e gatos domésticos como seres capazes de sentir e sujeitos de direitos.
Proposta em análise na Câmara dos Deputados visa alterar o Código Civil para garantir dignidade e bem-estar a esses animais.
Projeto de lei busca reconhecer cães e gatos como sujeitos de direitos
Um Projeto de Lei (PL 161/26) em tramitação na Câmara dos Deputados propõe uma alteração significativa no Código Civil brasileiro, visando conferir a cães e gatos domésticos o status de seres capazes de sentir e, consequentemente, de sujeitos de direitos. Esta iniciativa representa um passo importante na evolução da legislação de proteção animal no país, buscando uma nova abordagem jurídica para a relação entre humanos e esses animais de companhia, que atualmente são frequentemente tratados como bens.
A proposta estabelece que o Estado, a sociedade e os tutores terão a responsabilidade legal de assegurar a dignidade, o bem-estar e a integridade física e psíquica desses animais. Ao reconhecer sua senciência, o projeto visa garantir que cães e gatos não sejam tratados meramente como objetos ou propriedades, mas como indivíduos com necessidades e direitos inerentes à sua capacidade de sentir, o que pode impactar desde casos de maus-tratos até questões de guarda e herança.
Fundamentação e alinhamento com a ética animal
A deputada Maria do Rosário (PT-RS), autora do PL 161/26, fundamenta a proposta na evolução da percepção social e científica sobre cães e gatos. Ela observa que esses animais deixaram de ser vistos exclusivamente como bens materiais para serem reconhecidos por sua capacidade de experimentar dor, sofrimento e bem-estar, uma característica conhecida como senciência. Essa mudança de paradigma é crucial para a justificativa da alteração legislativa.
A parlamentar defende que a medida não busca desestruturar o Código Civil, mas sim aprimorá-lo, tornando-o mais moderno e inclusivo. O objetivo é alinhar a legislação vigente com os avanços da doutrina constitucional ambiental, que cada vez mais incorpora a proteção da fauna como um valor intrínseco, e com a ética da senciência animal, que reconhece a capacidade dos animais de ter experiências subjetivas e, portanto, merecer consideração moral e legal. Além disso, a proposta responde às crescentes demandas contemporâneas da sociedade por maior proteção e respeito aos animais.
Tramitação e próximos passos legislativos
O Projeto de Lei 161/26 seguirá um rito de análise em caráter conclusivo dentro da Câmara dos Deputados. Isso significa que, se aprovado nas comissões designadas, ele não precisará passar por votação no plenário da Câmara, a menos que haja um recurso específico assinado por um décimo dos deputados, o que pode alterar o curso da tramitação.


