Satélites dos EUA e da Europa estudam furacões durante El Niño
A NASA e seus parceiros europeus operam dois satélites que medem a altura dos oceanos com precisão milimétrica, ajudando a prever furacões e a proteger comunidades costeiras durante um El Niño considerado histórico.

Dois satélites lançados em novembro já fornecem dados que podem prever a intensificação de furacões com mais antecedência durante o atual El Niño.
Sentinel-6B e Sentinel-6 Michael Freilich medem altura do mar com precisão para melhorar previsões de tempestades
Missão conjunta monitora oceano e atmosfera
Os satélites Sentinel-6B e Sentinel-6 Michael Freilich, lançados em novembro de 2025, fazem parte da missão Copernicus Sentinel-6/Jason-CS, uma parceria entre NASA, ESA, EUMETSAT, NOAA e outras agências. Eles voam em formação, com o Sentinel-6B cerca de 30 segundos atrás de seu antecessor, e juntos fornecem medições precisas da altura do mar, tamanho das ondas e velocidade do vento sobre os oceanos.
Cada satélite carrega um altímetro de radar que envia milhares de pulsos por segundo em direção à superfície do mar. Além disso, possuem um instrumento chamado GNSS-RO, que mede propriedades da atmosfera como umidade, pressão e temperatura. Esses dados são essenciais para entender o calor armazenado no oceano, que influencia a formação e a intensidade de furacões.
El Niño tardio e seus efeitos
O El Niño atual começou tarde, só se intensificando em meados do ano, e já atinge níveis comparáveis aos de 1997 e 2015, segundo Josh Willis, cientista do projeto no JPL. O fenômeno redistribui o calor do oceano, deslocando a atividade de furacões do Atlântico para o Pacífico e alterando padrões de chuva e tempestades em várias regiões.
Os satélites Sentinel-6 fornecem dados em tempo quase real desde julho, permitindo que cientistas acompanhem a evolução do El Niño e seus impactos. A continuidade das medições, iniciadas com a missão TOPEX/Poseidon em 1992, é fundamental para detectar tendências de longo prazo no nível do mar e melhorar modelos climáticos.
Previsões mais precisas podem salvar vidas
Os dados dos satélites alimentam algoritmos usados por agências federais e estaduais para prever a trajetória e a intensidade de furacões. Essas previsões orientam decisões sobre evacuações, mobilização de recursos como sacos de areia e ativação da Guarda Nacional, além de acionar órgãos como a FEMA em casos mais graves.
Deirdre Byrne, oceanógrafa da NOAA, supervisiona o Satellite Ocean Heat Content Suite, um algoritmo que usa dados de altura do mar para estimar o calor disponível para alimentar furacões. Ela planeja incorporar as medições do Sentinel-6B até o fim do ano, destacando que a qualidade dos dados é sem precedentes. A previsão de intensificação rápida, que pode ocorrer nas 48 horas antes da chegada à costa, é um dos maiores desafios para os meteorologistas.


