Trump assina decreto para alterar imunização e reduzir vacinas infantis
A medida, que propõe diminuir as vacinas recomendadas de 18 para 11 e separar a tríplice viral em doses individuais, foi classificada como 'perigosa' por especialistas e pela Academia Americana de Pediatria.

O presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva que visa reduzir o número de vacinas infantis e fracionar a imunização tríplice viral nos Estados Unidos.
Ordem executiva nos Estados Unidos propõe diminuir o número de doses recomendadas e dividir a vacina tríplice viral, gerando críticas de especialistas da área da saúde.
Ordem executiva e propostas de Trump
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou em 10 de agosto uma ordem executiva que visa modificar o esquema de vacinação infantil no país. A medida propõe a redução do número de vacinas recomendadas para crianças e a divisão da imunização tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, em doses individuais. Trump argumentou que, décadas atrás, as crianças recebiam uma fração menor das vacinas atuais, sendo consideradas mais saudáveis e sem as altas taxas de autismo observadas hoje.
Embora o governo federal não possua autoridade para implementar diretamente essas novas recomendações — uma vez que as vacinas obrigatórias para a frequência escolar são definidas em nível estadual —, a ordem de Trump sugere que o número de vacinas infantis seja reduzido de 18 para 11. O presidente afirmou que seu governo reconhece como padrão ouro as recomendações para apenas 11 vacinas essenciais, que protegem contra sarampo, caxumba, rubéola, difteria, tétano, coqueluche, poliomielite, Haemophilus influenzae tipo B, doença pneumocócica, papilomavírus humano e varicela. Ele enfatizou que a intenção é diminuir a quantidade de doses e aplicá-las em uma série de atendimentos.
Críticas de especialistas e instituições de saúde
A Academia Americana de Pediatria, por meio de seu presidente, médico Andrew Racine, classificou a ordem executiva de Trump como "desanimadora" e "perigosa". Essa crítica surge em um momento em que os Estados Unidos registram o maior número de casos de sarampo dos últimos 35 anos, o que intensifica a preocupação com qualquer medida que possa comprometer a imunização.
Especialistas da área da saúde contestam a sugestão de Trump de que a tríplice viral poderia ser "bastante letal" se aplicada de uma só vez, afirmando que não há evidências científicas para tal alegação. Eles alertam que aumentar o número de doses individuais, em vez de concentrá-las, eleva a probabilidade de contrair doenças. Isso ocorre devido ao maior intervalo de tempo entre as vacinas e à maior chance de ausência nas datas de aplicação do imunizante, conforme os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC), que não veem benefício em separar a vacina tríplice viral.


