Vegetação nativa reduzida expõe Brasil a impactos do El Niño
A Coleção 11 do MapBiomas aponta que a vegetação nativa no Brasil diminuiu significativamente entre 1985 e 2025, tornando o país mais vulnerável aos efeitos do El Niño. Áreas de floresta mantidas em pé demonstraram maior resiliência a secas e temporais, enquanto a agropecuária expandiu sua ocupação territorial.

A vegetação nativa do Brasil foi reduzida para 65% do território em 2025, uma queda de 14 pontos percentuais desde 1985, conforme o MapBiomas.
Estudo do MapBiomas revela que áreas preservadas foram menos afetadas por eventos climáticos extremos ao longo de 41 anos
Redução da vegetação nativa e vulnerabilidade climática
A vegetação nativa do Brasil ocupava 79% do território em 1985, mas esse percentual caiu para 65% em 2025, conforme a Coleção 11 dos mapas anuais de cobertura e uso da terra do MapBiomas. Esta redução de 14 pontos percentuais ao longo de 41 anos expõe o país a maiores riscos diante de fenômenos climáticos extremos, como o El Niño.
O estudo, que cruza dados de uso do solo com informações climáticas da plataforma MapBiomas Atmosfera, observou que áreas onde as florestas foram mantidas apresentaram menor impacto durante os períodos de El Niño. Os pesquisadores analisaram os efeitos de secas e temporais nos trimestres de setembro a novembro em anos de El Niño intenso, como 1997/98, 2015/16 e 2023/24.
Impactos do El Niño nos biomas brasileiros
Durante os anos de El Niño mais intensos, a maioria dos biomas brasileiros foi afetada por secas e ausência de chuvas. A Amazônia foi o bioma mais impactado pelo déficit hídrico nos três eventos analisados, com os efeitos mais severos em 2023/2024 concentrados em áreas de agropecuária, que registraram uma redução de 178 milímetros de precipitação em relação à média histórica.
O Pantanal vivenciou seu ano mais seco da série histórica em 2024 devido ao último El Niño. No Cerrado e na porção norte da Mata Atlântica, a intensidade da seca aumentou a cada novo fenômeno, afetando principalmente as áreas de vegetação nativa. No Pampa, as áreas de agropecuária foram impactadas por excesso de chuva nos dois últimos El Niños, diferentemente da Amazônia. As exceções à seca generalizada foram o Pampa e parte da Mata Atlântica, que registraram aumento de precipitação.
Perda de formações vegetais e expansão da agropecuária
Entre 1985 e 2025, a formação florestal foi o tipo de vegetação que mais perdeu área devido à ação humana, com uma redução de 65 milhões de hectares. As formações savânicas perderam 46 milhões de hectares, e os campos alagados, 6,3 milhões de hectares. Proporcionalmente, as formações savânicas tiveram a maior perda, com 30% de sua área total desaparecendo no período.
A agropecuária tornou-se a classe de uso do solo dominante, ocupando 32% do território brasileiro em 2025, um aumento significativo em relação aos 18% registrados em 1985. A pastagem cresceu 61,6 milhões de hectares e a agricultura, 48 milhões de hectares. Essas atividades avançaram sobre áreas de vegetação nativa em todos os seis biomas, com as maiores perdas em termos de área na Amazônia (53,9 milhões de hectares) e no Cerrado (51,7 milhões de hectares). Proporcionalmente, Cerrado e Pampa registraram as maiores reduções, com 34% e 32% de perda, respectivamente.


