Venezuela inicia negociação com oposição sob tutela dos EUA sem María Corina Machado
Dois anos após as eleições de 2024, o regime venezuelano e a oposição iniciam conversas sob a supervisão dos Estados Unidos. A negociação, que ocorre após um terremoto devastador, não inclui María Corina Machado, figura central da oposição, gerando questionamentos sobre sua legitimidade e eficácia para resolver a crise política do país.
A Venezuela iniciou sua primeira negociação entre regime e oposição sob tutela dos Estados Unidos, marcada pela ausência da líder opositora María Corina Machado, em um contexto pós-terremoto.
A mesa de diálogo contará com representantes do regime e da Assembleia Nacional de 2015, enquanto a principal líder opositora permanece ausente do processo.
Início das negociações sob supervisão americana
A Venezuela deu início à sua primeira rodada de negociações entre o regime e a oposição sob a tutela dos Estados Unidos. Este diálogo ocorre dois anos após as eleições de 2024, que resultaram na recondução de Nicolás Maduro ao poder para um terceiro mandato, em um processo marcado por alegações de fraude eleitoral. O país também se recupera de um terremoto que causou milhares de mortes no mês anterior.
A mesa de negociações, que se reuniu neste sábado (1º), conta com a presença de Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional e irmão de Delcy Rodríguez, a número dois do regime. Pela oposição, participa Dinorah Figuera, presidente da Assembleia Nacional de 2015, a única instituição venezuelana reconhecida por Washington. No entanto, a ausência de figuras-chave tem sido um ponto de destaque.
A ausência de María Corina Machado
A principal ausência nas negociações é a de María Corina Machado, líder da oposição venezuelana e vencedora do Prêmio Nobel da Paz no ano passado. Apesar de suas constantes deferências ao presidente americano Donald Trump, Washington tem reiteradamente descartado a participação da política no processo de diálogo. Machado está fora do país desde dezembro de 2025, véspera da cerimônia de entrega do Nobel em Oslo.
Outros líderes opositores, como o ex-candidato presidencial Henrique Capriles, consideram a presença de María Corina essencial para o sucesso de qualquer acordo, afirmando que uma negociação sem ela estaria fadada ao fracasso. Dinorah Figuera também reconheceu a importância de María Corina, indicando que ela será convidada a contribuir com propostas. A própria María Corina Machado declarou que não será um obstáculo a iniciativas que gerem avanços reais, mas enfatizou a necessidade de ações concretas e verificáveis, como a recuperação das instituições democráticas, a libertação de presos políticos, garantias para todos os atores políticos, um cronograma eleitoral presidencial oportuno e o respeito à soberania popular.
Perspectivas e o papel do terremoto
Colette Capriles, cientista política da Universidade Simón Bolívar, avalia que a mesa de negociações se configura mais como uma distribuição de tarefas para as próximas eleições do que como um diálogo político genuíno. Segundo a pesquisadora, que participou das conversas de 2017 na República Dominicana, a estrutura atual não parece adequada para uma negociação política real, focando-se em aspectos eleitorais e não na resolução dos problemas estruturais do país.

