Brasileiros desconfiam de influenciadores que promovem apostas, revela pesquisa
A maioria dos brasileiros desaprova influenciadores que fazem publicidade de casas de apostas, segundo um estudo da More in Common e Ipsos-Ipec. A percepção negativa é ainda maior entre públicos de alta renda e escolaridade, enquanto um apostador relata ter perdido mais de R$ 100 mil e processou influenciadores.
Uma pesquisa inédita revela que 51% dos brasileiros têm uma visão negativa de influenciadores que promovem apostas, com 40% perdendo a confiança nesses profissionais.
Estudo inédito aponta que 51% da população tem visão negativa e 40% perde a confiança em figuras públicas que anunciam plataformas de bets.
Percepção negativa e perda de confiança
Uma pesquisa inédita, realizada pela organização não governamental inglesa More in Common em parceria com o instituto Ipsos-Ipec, revela que 51% dos brasileiros têm uma visão negativa de influenciadores que anunciam plataformas de apostas. Apenas 9% expressam uma impressão positiva, enquanto 19% mantêm uma visão neutra e 21% não souberam ou não responderam.
Entre os que manifestam uma visão negativa, 22% consideram esses influenciadores como “irresponsáveis”, “egoístas”, “manipuladores” e “sem ética”. Outros 17% os veem como más influências que exploram pessoas, e 8% acreditam que agem apenas em benefício próprio. Essas avaliações negativas são mais frequentes em grupos demográficos de maior potencial de consumo, atingindo 59% entre quem ganha mais de cinco salários mínimos e 58% entre quem possui ensino superior.
Em relação à confiança, 40% dos entrevistados afirmam que não confiam ou passam a confiar menos em influenciadores, artistas e atletas que fazem publicidade de apostas. Para 53%, a confiança não muda, e 4% passam a confiar mais. A perda de confiança também é mais acentuada entre os mais escolarizados (48%) e os de maior renda (46%), indicando, segundo o diretor-executivo da More In Common no Brasil, Pablo Ortellado, um “trade-off” entre o ganho imediato da publicidade e a erosão da reputação.
O custo da reputação e o investimento do setor
Pablo Ortellado, também professor da USP, avalia que influenciadores trocam um ganho financeiro certo no presente por um desgaste de reputação futuro, especialmente junto ao público que sustenta sua capacidade de monetização. Ele ressalta que essa erosão de confiança se concentra nas faixas de maior renda e escolaridade, que são as mais valiosas para o mercado publicitário.
O setor de apostas tem investido pesadamente em marketing. Um relatório do Itaú de 2024 estimou os gastos com publicidade entre R$ 5,8 bilhões e R$ 8,8 bilhões, valores que devem ser ainda maiores em 2026. O patrocínio master da Série A do Campeonato Brasileiro de futebol, por exemplo, cresceu 125% em dois anos, e o setor de apostas tornou-se o terceiro maior anunciante na televisão.