Teatro apoiado pela ONU combate a corrupção em Moçambique
Uma iniciativa em Moçambique, o projeto Gris, transforma a arte dramática em uma ferramenta de conscientização contra a corrupção. Em parceria com o Unodc, o grupo leva informações sobre direitos e cidadania a comunidades vulneráveis, combatendo a extorsão na prestação de serviços públicos.

O projeto Gris, apoiado pela ONU, utiliza o teatro para combater a corrupção em Moçambique, alertando sobre cobranças ilícitas em serviços públicos e incentivando denúncias.
O projeto Gris, em parceria com o Unodc, utiliza a arte dramática para conscientizar comunidades vulneráveis sobre cobranças ilícitas em serviços públicos.
Teatro como ferramenta de conscientização
O Grupo de Intervenção e Sensibilização (Gris), uma iniciativa do Centro de Formação Jurídica e Judiciária (Cfjj) de Moçambique, utiliza a arte dramática para combater a corrupção e a extorsão na prestação de serviços públicos. A ação inaugural do grupo ocorreu no Centro de Saúde da Matola 2, nos arredores de Maputo, marcando a primeira etapa de um órgão inaugurado pelo Ministério da Justiça, Assuntos Religiosos e Constitucionais em abril.
A sessão no centro de saúde reuniu gestantes, mães, jovens e mulheres adultas que aguardavam atendimento, transformando o espaço de espera em um debate aberto sobre direitos e integridade. Através de palestras e representações teatrais, o Gris explora temas essenciais para a cidadania moçambicana, fortalecendo a conscientização social na busca por uma sociedade mais justa e transparente.
O impacto da arte na denúncia da corrupção
Durante a intervenção no Hospital da Matola, o grupo Gris destacou o direito inalienável do cidadão ao acesso pleno à saúde. A iniciativa busca despertar a coragem cívica, com membros do coletivo, como Anifa Vilanculo, reforçando que a voz da população é a principal arma contra a extorsão e convocando todos a denunciar ativamente qualquer ato de corrupção.
A peça teatral “A fila que não anda” encenou a realidade de uma maternidade onde o atendimento é condicionado ao pagamento de subornos. A identificação com a obra foi imediata, levando participantes a expor suas próprias experiências. Josefina*, por exemplo, relatou que em 2014 seus familiares pagaram 1,5 mil meticais para que ela fosse atendida no parto, uma experiência que a fez decidir não ter mais filhos por receio de abusos semelhantes.
O peso da corrupção e a origem do projeto
Em Moçambique, onde o salário-mínimo varia entre 7 mil e 11 mil meticais, o peso financeiro das cobranças ilícitas é significativo. Frequentemente, essas extorsões ocorrem em momentos de extrema vulnerabilidade, consumindo o equivalente a semanas inteiras do rendimento de famílias e aprofundando a desigualdade social no país. O Grupo de Intervenção e Sensibilização surgiu para levar o enfrentamento desse cenário da teoria à prática, mobilizando funcionários e formandos comprometidos com a conscientização comunitária.


