Cerveja com proteína e refrigerante com fibra: a nova onda de bebidas funcionais
A indústria de bebidas investe em produtos com adição de nutrientes como proteína e fibra, transformando itens como cerveja e refrigerante em opções com apelo de bem-estar. Especialistas, contudo, questionam a real necessidade e o custo-benefício para o consumidor.

Novos lançamentos como cerveja com 10 gramas de proteína e refrigerante com 4,4 gramas de fibra por lata chegam ao mercado, impulsionando a tendência de bebidas funcionais.
Empresas lançam produtos com nutrientes adicionados, como proteína e fibra, buscando atender à demanda por bem-estar, mas especialistas alertam para o 'efeito halo'.
A nova fronteira das bebidas funcionais
A busca por bem-estar impulsiona a indústria de alimentos e bebidas a inovar, adicionando nutrientes a produtos antes não associados a essa categoria. Exemplos recentes incluem a Spaten Pro, uma cerveja com 10 gramas de proteína, e o Guaraná Zero com Fibra, que contém 4,4 gramas de fibra por lata. O Starbucks também lançou o Cold Foam, uma espuma proteica para cafés e outras bebidas.
Esses lançamentos indicam uma nova fase no mercado de alimentos funcionais, onde empresas competem para incorporar proteínas, fibras e vitaminas em produtos considerados improváveis. O Brasil tem se destacado como um centro de desenvolvimento para essas inovações, com produtos como a cerveja sem glúten Stella Artois Pure Gold já sendo exportados e a Spaten Pro planejando seguir o mesmo caminho.
A Spaten Pro, em particular, representa um marco por ser a primeira cerveja proteica de uma grande cervejaria para o mercado de massa, enquanto experiências anteriores eram restritas a marcas de nicho. Contudo, essa tendência gera preocupação entre profissionais de saúde, que questionam se os benefícios reais superam o apelo de marketing.
Nutrientes adicionados e recomendações diárias
A Spaten Pro, uma cerveja escura sem álcool, oferece 10 gramas de proteína, enquanto o Cold Foam do Starbucks contém 19 gramas. Para adultos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda uma ingestão diária de 50 gramas de proteína em uma dieta de 2 mil calorias. Nutricionistas, porém, usam parâmetros mais específicos, como 0,8 grama por quilo de peso corporal para sedentários e de 1,4 a 2 gramas para quem pratica exercícios, conforme a Sociedade Internacional de Nutrição Esportiva (ISSN).
O Guaraná Zero com Fibra, por sua vez, fornece 4,4 gramas de fibra por lata, o que corresponde a quase 20% da ingestão diária recomendada para um adulto. A OMS sugere o consumo de pelo menos 25 gramas de fibra por dia, enquanto instituições como o NHS britânico indicam 30 gramas.
O professor Hamilton Roschel, da USP, aponta que o brasileiro geralmente apresenta deficiência no consumo de fibras devido à baixa ingestão de frutas, legumes e verduras. No entanto, ele afirma que a população brasileira está bem suprida em relação ao consumo de proteínas, provenientes de vegetais como arroz e feijão, e de alimentos de origem animal como carnes e laticínios.


