Especialistas defendem protagonismo indígena na restauração de terras
Dados do TerraClass de 2022 indicam que as terras indígenas da Amazônia concentram 952,3 mil hectares de áreas degradadas, predominantemente ocupadas por pastagens. Somadas à vegetação secundária, o potencial de restauração chega a 1,79 milhão de hectares.

No Dia da Amazônia, especialistas defendem que a restauração de terras indígenas vá além do plantio de árvores e inclua a participação ativa das comunidades.
Amazônia tem 1,79 milhão de hectares com potencial de recuperação
Restauração além das árvores
No Dia da Amazônia, celebrado em 5 de setembro, especialistas chamam a atenção para a necessidade de investir na recuperação de terras degradadas em territórios indígenas. A proposta é que a restauração não se limite ao plantio de árvores, mas envolva a recomposição da vegetação e a recuperação de nascentes, espécies usadas pelas comunidades e conhecimentos tradicionais.
A discussão ocorre em um momento em que o Brasil amplia suas metas de recuperação. Durante a COP17, realizada em Ulaanbaatar, na Mongólia, o país se comprometeu a restaurar mais de 163 mil quilômetros quadrados até 2030, e parte desse esforço deve alcançar terras indígenas.
Dados sobre degradação e potencial de recuperação
Dados do TerraClass de 2022 mostram que as terras indígenas da Amazônia concentram 952,3 mil hectares de áreas degradadas, principalmente por pastagens. Outros 24,4 mil hectares são usados para agricultura e 18,9 mil hectares para mineração. Além disso, foram identificados 840,5 mil hectares de vegetação secundária.
Somando as áreas degradadas e a vegetação secundária, o potencial de restauração dentro de terras indígenas da Amazônia é estimado em 1,79 milhão de hectares. Apesar das pressões, esses territórios seguem entre os mais conservados do país: segundo o MapBiomas, apenas 1,7% de toda a perda de vegetação nativa no Brasil entre 2019 e 2025 ocorreu dentro de terras indígenas.
Protagonismo indígena redefine o que é restaurar
Para Diana Nascimento, do povo Kaingang e especialista da The Nature Conservancy Brasil (TNC), os números de hectares recuperados não são suficientes para medir o sucesso de uma iniciativa. Ela defende que a participação ativa dos povos indígenas muda a definição do que é restaurar.
"Quando os povos indígenas assumem o protagonismo da restauração, o território deixa de ser visto apenas como uma área onde precisamos recuperar vegetação e passa a ser entendido a partir de sua relação com as pessoas, a cultura, a alimentação, os conhecimentos tradicionais e os modos de vida", afirma Diana. Ela acrescenta que é preciso considerar quais espécies são importantes para cada povo, quais alimentos e conhecimentos precisam ser recuperados e como a restauração pode fortalecer a gestão e a autonomia do território.


